O BAÚ DAS LETRAS

Livros, Leituras e muito mais...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O baú anda por aí....

O grupo do Baú das Letras – Itinerante
voltou a pegar nos livrinhos
para sair além fronteiras/portas
da Biblioteca Municipal Álvaro de Campos - Tavira.


Como aconteceu no ano anterior,
O Baú das Letras criou um roteiro/itinerário
onde realizará as suas sessões
com o objectivo de contemplar
todas as escolas EB1 e Jardins-de-Infância do concelho.


O objectivo primordial é
fazer chegar o livro a todas as crianças do concelho.
Algumas escolas já foram contempladas com a nossa presença
mas toma atenção porque qualquer dia vamos à tua escolinha.



O baú anda por aí…

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Espetáculo "A Noite de Natal"


No dia 25 de Novembro, já com um cheirinho a Natal,
a Biblioteca Municipal Álvaro de Campos de Tavira
tem o prazer de te convidar a participar no
espectáculo A Noite de Natal,
baseado no livro A Noite de Natal de Sophia de Mello Breyner Anderson
com a realização de Paulo Lages.

Será um espectáculo em que o actor proporcionará ao público
uma leitura encenada na qual lhe será dada a oportunidade
de participar nessa mesma história, quer através dos seus
comentários, quer através da representação.

Noite de Natal inclui ilustrações cénicas através da manipulação
de adereços sugeridos pela história, permitindo ao público fazer
um percurso idêntico ao das personagens que vão visitar o menino.
O espectáculo terá lugar
no espaço Infantil-Juvenil pelas 14h30m,

sujeito a marcação prévia.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Baú continua em "digressão", levando os livros a vários espaços educativos do concelho.

O grupo, tem vindo a encontrar-se com várias pessoas que decerto contribuem para que possam melhorar o seu desempenho.

O autor José Fanha, João Lizardo, Joana Silva, formadora do ACIDI (ALTO COMISSARIADO PARA A IMIGRAÇÃO E DIÁLOGO INTERCULTURAL) têm acompanhado algumas das suas actividades e contribuído para desenvolver a dinâmica do grupo que, em Tavira, se tem dedicado à promoção da Leitura.









Ver mais fotos na página Baú em Acção:

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Baú das letras, leva José Fanha à Escola EB1 Porta Nova











Veja no blogue da própria escola:
http://becretavira2.blogspot.com/


sábado, 15 de maio de 2010

O Contador de Histórias


"Yacoub era pobre, mas despreocupado e feliz, livre como um saltimbanco, sonhando sempre cada vez mais alto. Em boa verdade, estava apaixonado pelo mundo. Porém, o mundo à sua volta parecia-lhe sombrio, brutal, seco de coração, de alma obscura, e ele sofria com isso. «Como», perguntava-se, «fazer com que seja melhor? Como trazer à bondade estes tristes que vão e vêm sem olharem para os seus semelhantes?» Ruminava estas perguntas pelas ruas de Praga, a sua cidade, vagueando e saudando as pessoas que, no entanto, não lhe respondiam.
Ora, uma manhã, quando atravessava uma praça cheia de sol, teve uma ideia. «E se lhes contasse histórias?», pensou. «Assim, eu, que conheço o sabor do amor e da beleza, ajudá-los-ia certamente a encontrar a felicidade.» Pôs-se em cima de um banco e começou a falar. Os velhos, as mulheres e as crianças, admirados, pararam um momento a ouvi-lo, mas depois viraram-lhe as costas e prosseguiram o seu caminho.
Yacoub, achando que não podia mudar o mundo num dia, não perdeu a coragem. No dia seguinte voltou àquele mesmo lugar, e de novo lançou ao vento, com voz forte, as mais comoventes palavras. Outras pessoas pararam para o ouvir, mas em número menor do que na véspera. Alguns riram-se dele. Houve mesmo quem lhe chamasse louco, mas não quis prestar atenção. «As palavras que semeio germinarão.», pensou. «Um dia entrarão nos espíritos e acordá-los-ão. Tenho de falar, falar mais ainda.»
Teimou, pois, e dia após dia voltou à grande praça de Praga para falar ao mundo, contar maravilhas, oferecer aos seus semelhantes o amor que sentia. Todavia, os curiosos tornaram-‑se cada vez mais raros, desapareceram quase todos e, em breve, apenas falava para as nuvens, o vento e as silhuetas apressadas, que já só lhe lançavam uma olhadela de espanto à medida que passavam. No entanto, não desistiu.
Descobriu que não sabia nem desejava fazer outra coisa que não fosse contar as suas histórias, mesmo que estas não interessassem a ninguém. Começou a dizê-las de olhos fechados, pela única felicidade de as ouvir, sem se preocupar em ser ouvido. Sentiu-se bem e a partir dali só falava assim: de olhos fechados. As pessoas, temendo relacionar-se com as suas extravagâncias, deixaram-no só, com as suas histórias, e habituaram-se, assim que ouviam a sua voz lançada ao vento, a evitar a esquina da praça onde Yacoub se encontrava.
Assim, os anos foram passando. Ora, numa noite de Inverno, enquanto – sob um crepúsculo indiferente – contava um conto prodigioso, sentiu que alguém o puxava por uma manga. Abriu os olhos e viu uma criança, que, fazendo uma careta engraçada, lhe disse, esticando-se nas pontas dos pés:
— Não vês que ninguém te ouve, nunca te ouviu e jamais te ouvirá? O que te levou a viveres assim a vida?
— Estava louco de amor pelos meus semelhantes — respondeu Yacoub. — Foi por isso que, no tempo em que ainda não eras nascido, me veio o desejo de os tornar felizes.
O miúdo replicou:
— Pois bem, pobre louco, e eles são-no?
— Não — disse Yacoub, abanando a cabeça.
— Por que razão teimas então? — perguntou ternamente a criança, tomada de repentina piedade.
Yacoub reflectiu por instantes.
— Eu conto sempre, é claro, e contarei até morrer — disse. — Dantes, contava para mudar o mundo.
Calou-se; depois o seu olhar iluminou-se, e acrescentou:
— Hoje, conto para que o mundo não me mude, a mim."

Henri Gougaud
A Árvore dos Tesouros
Lisboa, Gradiva, 1988
Adaptação

Histórias para contar em noites de Luar


Mais um livro de José Fanha !!
Como não podia deixar de ser, é um livro de encantar, com pequenas histórias que nos levam e trazem de volta.
Viajamos pelo céu, pelo mar, vamos ao "Circo das Palavras Voadoras" e encontramos um rei amigo dos seus súbditos, el-rei Badalão.


Não deixem de ler... já encomendei para a Biblioteca!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

UM LIVRO ESPERA-TE



UM LIVRO ESPERA-TE. PROCURA-O
Era uma vez um barquinho pequenino,que não sabia, não podia navegar.Passaram uma, duas, três,quatro, cinco, seis semanas,e aquele barquinho,aquele barquinho navegou. Antes de se aprender a ler aprende-se a brincar. E a cantar. Eu e os meninos da minha terra entoávamos esta cantiga quando ainda não sabíamos ler. Juntávamo-nos na rua, fazendo uma roda e, ao despique com as vozes dos grilos no Verão, cantávamos uma e outra vez a impotência do barquinho que não sabia navegar. Às vezes construíamos barquinhos de papel, íamos pô-los nos charcos e os barquinhos desfaziam-se sem conseguirem alcançar nenhuma costa.
Eu também era um barco pequeno fundeado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes numa açoteia vendo o sol esconder-se à hora do poente, e pressentia na lonjura – não sabia ainda se nos longes do espaço, se nos longes do coração – um mundo maravilhoso que se estendia para lá do que a minha vista alcançava.Por detrás de umas caixas, num armário da minha casa, também havia um livro pequenino que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes passei por ele, sem me dar conta da sua existência! O barco de papel, encalhado na lama; o livro solitário, oculto na estante, atrás das caixas de cartão.
Um dia, a minha mão, à procura de alguma coisa, tocou na lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria a coisa assim: «Certo dia, a mão de um menino roçou na minha capa e eu senti que as minhas velas se desdobravam e eu começava a navegar».Que surpresa quando, por fim, os meus olhos tiveram na frente aquele objecto! Era um pequeno livro de capa vermelha e marca-de-água dourada. Abri-o expectante como quem encontra um cofre e ansioso por conhecer o seu conteúdo. E não era para menos. Mal comecei a ler, compreendi que a aventura estava servida: a valentia do protagonista, as personagens bondosas, as malvadas, as ilustrações com frases em pé-de-página que observava uma e outra vez, o perigo, as surpresas…, tudo isso me transportou a um mundo apaixonante e desconhecido. Desse modo descobri que para lá da minha casa havia um rio, e que atrás do rio havia um mar e que no mar, à espera de partir, havia um barco. O primeiro em que embarquei chamava-se Hispaniola, mas teria sido igual se se chamasse Nautilus, Rocinante, a embarcação de Sindbad ou a jangada de Huckleberry. Todos eles, por mais tempo que passe, estarão sempre à espera de que os olhos de um menino desamarrem as suas velas e os façam zarpar. É por isso que… não esperes mais, estende a tua mão, pega num livro, abre-o, lê: descobrirás, como na cantiga da minha infância, que não há barco, por pequeno que seja, que em pouco tempo não aprenda a navegar.
ELIACER CANSINO
Tradução: José António Gomes
Eliacer Cansino Macías (Sevilha, 1954) é professor de Filosofia numa escola de Sevilha, desde 1980, e autor de romances para jovens e adultos. Em 1997, recebeu o Prémio Lazarillo por O Mistério Velázquez, recriação da vida do anão Nicolasillo Pertusato e da sua relação com Velázquez. Em 1992, foi-lhe outorgado o Prémio Internacional Infanta Elena pelo livro Eu, Robinsón Sánchez, tendo naufragado, obra que foi também finalista do Prémio Nacional de Literatura Infantil, de Espanha. Em 2009, recebeu o Prémio Anaya de Literatura Infantil e Juvenil por Um Quarto em Babel. O lápis que encontrou o seu nome (2005). Tem muitos outros títulos editados.A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY.